quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Fragmentos

Quando morrer, não quero ser calcada pelos Deuses. Quero ser salva, libertar-me da morte.
Não quero ser uma flor dentro de um jarro.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Goodbye?

Just how
How many times
How many times have I sat right here and seen that skyline at twilight
And told myself I'm gonna be alright

But at the last light after saying goodbye
You can't rest at night inside your head
Yeah at that last light after sayin'goodbye
It's such a sad sight cause of what we said

Now just how
How many times
How many times have I sat right here
And again that skyline
And again that twilight
And again tell myself i'm gonna be alright

But at that last light after saying goodbye
You can't rest at night inside your head
yeah at that last light after sayin' goodbye
It's such a sad sight cause of what we said


Goodbye

Grandaddy 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

ainda pode descer

estive há dez minutos atrás da varanda
do meu quinto andar,
a observar a cúpula invisível entre o
céu e o enorme lego de betão
e a sentir-me um inquilino passageiro
desta pensão de uma estrela
perdida na imensa cidade negra a que
damos o nome de universo.
curiosamente parece que é o único
sítio que temos para passar a longa
noite que nos espera.
e é aí que eu saio para apanhar a
frequência.
como que a comer um ponto
e a cagar um verso
no meu prisma, a encaixar,
provavelmente no de outros feito um
filósofo de merda.
mas a vida é isso mesmo, um monte de
gente a fazer de conta que se entende
e ninguém sabe dizer o que viveu.
e por isso nos pedem que caminhemos
alegres para o precipício, sem
questionar,
porque estaremos sempre longe. mas
longe rapidamente fica perto
e perto rapidamente passa por nós. eu
não quero mandar-te para baixo,
mas eu sei que me entendes, tu também
tens medo de morrer,
toda a gente tem. só que normalmente
evocamos nomes de problemas
para nos convencermos que estamos
ocupados a resolver uma situação
importante
quando não tem importância nenhuma.
entretanto o tapete rola
e nós irritamo-nos com a
inevitabilidade, e nos nossos sonhos
dizemos:
-torna-me imortal! torna-me imortal!
eu não vou aguentar deixar de existir!
e é aí que eu entro para sair da
frequência, seduzir-te com os meus
sonhos,
tu não vês como empreendo? e como eu
mais um milhão de sonhadores leva com
ele muitos braços de outros,
acéfalos, na lotaria dos ideais,
descrentes, beijando o número do
bilhete.
mas quero dizer-te que a viagem é tua,
e eu não quero empurrar-te à força para a rua.
se eu falhar eu vou passar de deus a
carrasco, embalsamado e metido dentro
de um frasco,
para te lembrares da mentira, mas a
verdade é que ganhamos sempre.

Manuel Cruz